Luis Nassif posa de inteligentão, o feroz crítico da mídia. Admito que ele acerta – este post é um bom exemplo. Eu não sabia que a tal casa de Sarney foi omitida em somente uma de trocentas declarações, e, portanto, não foi “escondida”. É um bom post – infelizmente a favor de Sarney, mas o mérito da verdade não depende de a quem ela serve.
Agora, tem coisa que o Nassif produz – a maior parte – que é puro lixo. Vejam este comentário de um texto sobre Honduras:
Ou seja, segundo o tal analista (que é o mesmo repórter analisando) o golpe é constitucional, apesar de todos os organismos internacionais o virem como um golpe.
O golpe visou democraticamente (segundo o repórter-analista) – já que com o apoio das instituições – evitar que o presidente deposto atropelasse a Constituição com uma manobra ilegal (o plebiscito do continuismo). Por “democraticamente” se entenda, seguindo o que manda a Constituição. Mas a Constituição não manda depor o presidente. Mas isso se deve a uma falha da Constituição. Segundo o repórter-analista.
E tome banho de lógica (NASSIF, 2009).
Numa leitura rápida, Nassif parece desqualificar adequadamente o raciocínio do repórter. Acontece que ele não o faz. É o raciocínio de Nassif que apresenta coisas que não se seguem umas às outras, além de contar também mentiras descaradas. Vamos lá.
Ou seja, segundo o tal analista (que é o mesmo repórter analisando) o golpe é constitucional, apesar de todos os organismos internacionais o virem como um golpe.
Nassif, quem tem que analisar a constitucionalidade das coisas é a Suprema Corte do país, e não as instituiçõs internacionais. No Brasil, manda o STF, não a OEA.
O golpe visou democraticamente (segundo o repórter-analista) – já que com o apoio das instituições – evitar que o presidente deposto atropelasse a Constituição com uma manobra ilegal (o plebiscito do continuismo). Por “democraticamente” se entenda, seguindo o que manda a Constituição.
A segunda frase deste trecho apenas repete a primeira. Ou melhor, reforça, já que SIM, por “democraticamente”, entende-se algo de acordo com as instituições e com a Constituição. Ou será, Nassif, que algo pode ser democrático indo contra as instituições e contra a Constituição?
Mas a Constituição não manda depor o presidente.
Mentira. Manda sim. Mas o apreço de Nassif pela apuração, pelo comedimento, por checar as fontes, não vale quando se trata de Honduras. A Constituição de Honduras não tem mecanismo para impeachment, e diz que o cidadão que SUGERIR que haja reeleição perde seus direitos políticos.
Mas isso se deve a uma falha da Constituição. Segundo o repórter-analista.
Não há falha nenhuma na Constituição hondurenha que impeça a deposição do Presidente, embora, é certo, falte o mecanismo formal do impeachment. Agora, uma vez que a falta de impeachment é um fato, os hondurenhos vão fazer o quê? Permitir que esse loophole mantenha um presidente golpista no poder? Propor uma reforma para haver impeachment com esse mesmo presidente golpista no poder?
E tome banho de lógica.
Você que acabou de tomar um.